
ENVELHECIMENTO
Mudanças Fisicas
O envelhecimento pode ser entendido como a consequência da passagem do tempo ou como o processo cronológico pelo qual um indivíduo se torna mais velho. Esta tradicional definição tem sido desafiada pela sua simplicidade. Senescência orgânica” é o envelhecimento do organismo como um todo, ligado, entre outros fenómenos, ao envelhecimento celular. O envelhecimento do organismo é geralmente caracterizado pela diminuição da capacidade de responder a desafios à função orgânica. Estes desafios em geral oneram a capacidade funcional de nossos órgãos e sistemas, que diminui com o passar dos anos. De forma interessante, em indivíduos jovens e saudáveis, esta capacidade funcional se encontra muito além do necessário para o quotidiano, de forma que existe uma denominada reserva funcional; o envelhecimento fisiológico ou normal pode também ser entendido como uma diminuição progressiva desta reserva funcional, de forma a diminuir a capacidade de resposta a desafios.

Mudanças cognitivas
No que diz respeito à área cognitiva, o declínio cognitivo ocorre como um aspecto normal do envelhecimento. A natureza exata destas mudanças, no entanto, não é uma certeza, e problemas relacionados à linha que separa este declínio de possibilidades de uma possível demência são muito tênues, principalmente por não haver ainda uma referência consistente frente à demanda nesta faixa etária.
Com relação às habilidades cognitivas, Bee (1997) salienta que dos 65 anos aos 75 anos algumas das mudanças cognitivas são sutis ou até inexistentes como é o caso do conhecimento de vocabulário, entretanto, ocorrem declínios importantes nas medidas que envolvem velocidade ou habilidades não exercitadas.
A influência da glândula pineal
Uma outra teoria, lançada em 1991 pelo investigador Walter Pierpaoli, aponta uma glândula existente no cérebro – a glândula pineal – como responsável biológica do controlo do envelhecimento. Esta glândula produz uma hormona chamada melatonina que está implicada no ritmo do sono e de outros processos fisiológicos (digestão, ritmo cardíaco, pressão sanguínea, etc.). Ao longo da vida, a produção de melatonina decresce, sendo quase irrisória nos idosos. Várias experiências laboratoriais fizeram levantar a suspeita de que a perda gradual da hormona está implicada no processo de envelhecimento.
Quanto ao envelhecimento do cérebro é, antes de tudo, um facto biológico. Resulta tanto de factores endógenos associados directamente aos nossos genes, como de factores exógenos muito dependentes dos comportamentos e das transacções e contactos com o ambiente (através da alimentação, da respiração, da exposição aos elementos, etc.) ao longo do tempo.
É um processo que está, à partida, controlado pelos genes cujo grande objectivo é assegurar a continuidade da espécie (e não de cada organismo em particular). Isto não quer dizer que existam genes que determinam, por si só, o envelhecimento. Parece, porém, haver genes variantes que podem favorecer a longevidade ou, pelo contrário, reduzir a duração da vida.
O que causa, de facto, o envelhecimento do cérebro são alterações moleculares e celulares que resultam em perdas funcionais progressivas. Necessariamente este órgão, como qualquer outro, vai sofrendo os efeitos da entropia – um fenómeno de metamorfose da matéria provocada pela alteração da sua composição química devido à pressão de diferentes factores ao longo do tempo.

Mitos e Factos sobre a velhice
Velhice começa aos 65 anos, é apenas uma questão cronológica.
“65 anos” é apenas um dado abstracto; a velhice embora geralmente implique desgaste nomeadamente em termos orgânicos, é mais um processo pessoal e não tanto um definido por uma baliza etária.
Estar velho, é estar dependente.
A dependência física, psíquica ou intelectual não depende da idade mas antes de um conjunto de factores, como a saúde, que podem despoletar uma situação de dependência.
As pessoas idosas geralmente não conseguem tomar decisões sobre a sua vida.
As pessoas idosas são adultas e a não ser que estejam em situação inequívoca de incapacidade de julgamento e decisão, foram e estão habilitadas para saber e construir o rumo das suas vidas.
A maior parte das pessoas idosas usufruem de equipamentos e serviços para os apoiar no dia-a-dia.
Apenas 11,4% das pessoas idosas portuguesas usufruem de equipamentos ou serviços e, segundo a União Europeia estima-se que apenas 3% desta população se encontre em situação de grande dependência; na verdade, muitas pessoas idosas são cuidadoras dos mais jovens e mais velhos que elas próprias.
«Burro velho não aprende línguas»
A capacidade de aprendizagem não cessa com a longevidade - o ser humano é capaz de aprender e de se adaptar sempre.
A família cuida sempre dos mais velhos e estes nada dão em troca.
Nem todas as famílias estão capacitadas para manter ou criar relações afectivas e funcionais intergeracionais, por outro lado, a função social dos membros mais velhos da família passa muitas vezes por cuidar dos mais novos, contribuir monetariamente para o agregado doméstico, servir de mediadores com a vizinhança, etc.
As pessoas idosas não se apaixonam ou têm relações sexuais.
O amor, a sexualidade e o afecto são importantes para os maiores, independentemente da sua idade.
As pessoas idosas são todas iguais.
A população idosa portuguesa é muito heterogénea - não é por fazerem 65 anos ou mais que as pessoas ficam todas iguais.